quarta-feira, 15 de março de 2023

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

 

A ONU REDIGIU UM DOCUMENTO EM 22 DE MARÇO DE 1992 – INTITULADO “DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA”.  O TEXTO MERECE PROFUNDA REFLEXÃO E DIVULGAÇÃO POR TODOS OS AMIGOS E DEFENSORES DO PLANETA TERRA, EM TODOS OS DIAS.





1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada

região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2. A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou

ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a

cultura ou a agricultura.

3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito

limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos.

Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida

sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde

os ciclos começam.

5. A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos

nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do

homem para com as gerações presentes e futuras.

6. A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber

que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do

mundo.

7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua

utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de

esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8. A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica

para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo

homem nem pelo Estado.

9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades

de ordem econômica, sanitária e social.

10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão

de sua distribuição desigual sobre a Terra.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

DICA DE LEITURA: LÁPIS COR DE PELE

 



LIVRO: LÁPIS COR DE PELE

 

De acordo coma narrativa descrita no referido livro, a personagem Ana, em seu primeiro dia de aula, ficou surpresa quando viu que os colegas tinham um “lápis cor de pele”. Então pensou: Será que a gente só tem uma cor?” A partir daquele dia, começou a prestar atenção nas pessoas e descobriu coisas que nunca havia percebido antes. Que tal conhecer esta história sobre DIVERSIDADE?

Ótima leitura e viva à diversidade!

CLIQUE ABAIXO PARA LER

https://doceru.com/doc/nxnxe1v




segunda-feira, 6 de junho de 2022

Click Leitura - Junho - A Mulher Ramada

 





A Mulher Ramada

Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo, toda vez que levantava a cabeça do trabalho.

E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando os mantos nas aléias, cavaleiros partindo para a caça.

Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha dos salões, mas se deixava ficar pelas folhas, sem que ninguém a viesse colher.

Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses, só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era tempo de ter uma companheira.

No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse sempre molhados os pés da rosa.

Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.

Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões teimosos que escapavam á harmonia exigida. E aos poucos, entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.

O Jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho. Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:

--Bom dia, Rosamulher.

Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar de amor, como se o vento o agitasse por dentro.

Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar, agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia todos os dias visita-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo desfazer-se um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.

Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em cada tronco, em cada haste, em cada pendúculo, a seiva empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas pontas verdes.

Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores, nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira. Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os botões.

De tanto contraria a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.

Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la, percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra no seio despontava.

Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podála. Nem mesmo para mantê-la presa em seu desenho.

Então docemente a abraçou descansando a cabeça no seu ombro. E esperou. E sentindo sua espera, a mulher –rosa começou a brotar, lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões, casulo de flores e perfumes.

Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção, retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o estreito abraço dos amantes.

(Marina Colasanti- Um Espinho de Marfim e outras histórias)